Lauro de Freitas, 18 de maio de 2012

Cultura    
Casa Número Nada faz temporada no Teatro Xisto
Ter, 26 de Julho de 2011 14:06
 

O solo autoral da atriz Mariana Freire, dirigido por Fábio Vidal, “Casa Número Nada”, realizará temporada de apresentações no Teatro Xisto Bahia (Biblioteca Central dos Barris), nas quartas-feiras de agosto (dias 3, 10, 17, 24 e 31 de agosto), às 20h. O espetáculo retorna aos palcos baianos com novo formato, agora ainda mais intimista e em arena, para no máximo 60 pessoas por noite. As mudanças são resultado do continuado processo de pesquisa da intérprete.

casanumeronadaFoto_Alessandra_Nohvais_94Casa Número Nada (Foto: Alessandra Nohvais)

Para Mariana, “a saída do espaço tradicional sempre foi meu desejo inicial com o solo, mas antes eu não tinha tanta clareza como agora. Sinto que estou caminhando agora no sentido de pensar o fazer teatral de outra forma, mais despojada de sua pompa, do seu glamour e me aproximando do sentido de essencialidade e economia que já existe na “Casa”, desde o início, tanto na parte técnica quanto no meu trabalho como performer. Eu quero aprender a estar de verdade com o público.”

“Casa Número Nada” integra o repertório do Território Sirius Teatro, coletivo teatral da Cooperativa Baiana de Teatro, é vencedor do prêmio Manoel Lopes Pontes, FUNCEB/2007 e do Edital/2008 Jurema Penna – Circulação de Teatro. É um solo teatral e autoral desenvolvido através da pesquisa e experimentação processual, colaborativa com o público, que gerou uma dramaturgia autêntica e uma poética cênica singular.

Renata e o vazio - O solo apresenta uma mulher – Chamada Renata (que significa Renascida), que chega à sua casa e a encontra vazia/roubada. O texto cênico parte da súbita retirada de toda segurança material da personagem, que se defronta a partir de então com o vazio existencial de sua alma e se depara com questões adversas que tratam do sistema capitalista de consumo, o “ter” versus o “ser”, a memória, o sentimento, o estado de coisificação que vivemos; o resgate de humanidade, o estado de luto-crise e sua superação.

Renata se encontra no limite entre a razão e a loucura, procurando ancorar-se na lógica da segurança material apregoada por nossa sociedade, ao mesmo tempo em que entra num processo de introspecção, resgatando suas memórias e levantando questionamentos íntimos. Ela se vê obrigada a confrontar-se com os seus sentimentos e emoções e redescobrir outros valores para além de seus móveis, objetos, seguros e notas fiscais. Desta maneira, toda concepção dos elementos do espetáculo (cenário, figurino, iluminação e trilha) apresentam uma “economia essencial” que pretende questionar/dialogar sobre “O SENTIDO E FINALIDADE DA VIDA”. O ator e suas possibilidades corporais, vocais e subjetivas é o gerador da poesia da cena no espaço vazio.

A situação cênica gerada articula o fantástico à realidade. Todo o solo foi construído a partir de partituras físicas, ações cotidianas com extrema precisão técnica. Para tanto, técnicas como do teatro físico, da mímica e do teatro essencial participaram desta construção da cena poética. “Casa Número Nada”, paralelo a apresentação da cena, pesquisa o papel do expectador/público tanto na recepção do espetáculo “pronto”, como no processo de construção e apresentação do mesmo; confrontando através do diálogo direto (do debate) as percepções, críticas e comentários da audiência. O público, neste caso, é colaborador ativo desta construção work progress.

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