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| Comédia Cândida estreia em Salvador |
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Amor e casamento são os temas centrais da comédia Cândida, do dramaturgo irlandês Bernard Shaw (Prêmio Nobel de Literatura), com a atriz Bia Seidl no papel-título. O espetáculo cumpriu longa e vitoriosa carreira em São Paulo, além de passar por Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras capitais. Completam o elenco os atores do Núcleo Experimental: Fernanda Maia, João Bourbonnais, Sergio Mastropasqua, Thiago Carreira e Thiago Ledier. A direção é de Zé Henrique de Paula (indicado ao Prêmio Shell de Teatro 2009). Escrito em 1895 pelo dramaturgo irlandês Bernard Shaw, o texto ameaça colocar em cena um adultério a ser praticado por Cândida (Bia Seidl) - a devotada esposa do reverendo Morell (Sergio Mastropasqua), um pastor anglicano de ideologia socialista. Cândida encanta-se pelo aristocrata Marchbanks (Thiago Carreira), um jovem poeta. Ao invés de seguir os rumos esperados, porém, a peça tem um final surpreendente. “Uma das grandes questões da peça se coloca para Cândida: O que completa mais a mulher? Um marido provedor, um porto seguro, com quem ela vive uma rotina que não é necessariamente entediante, mas serena, um bom alicerce? Ou viver a aventura de compartilhar momentos intensos com um jovem poeta de 18 anos que a faz perder o fôlego com suas declarações de amor?”, conta o diretor. Ironia e irreverência marcam os personagens, incutindo ao enredo um tom de inteligência e alta teatralidade. Além dos três personagens que formam o triângulo amoroso central, completam a história o pai de Cândida, o capitalista insaciável Sr. Burgess (João Bourbonnais); a secretária do reverendo Morell, Srta. Prosérpina (Fernanda Maia), e o assistente do pastor, reverendo Lexy Mill (Thiago Ledier). A natureza da fé religiosa, o embate socialismo versus capitalismo, a decadência da nobreza e a Londres da era vitoriana também estão presentes na comédia. A montagem busca, esteticamente, a limpeza e a síntese, com cenografia enxuta e funcional, figurinos sóbrios em paleta de cores reduzida, música e iluminação de natureza narrativa e cenográfica. "Há um foco altamente dirigido para o trabalho de interpretação dos atores e para a descoberta de uma linguagem cênica que 'revele' o espírito de Shaw, um autor com carpintaria teatral impecável e sofisticação de pensamento. O ator, nesse sentido, é a peça fundamental", explica Zé Henrique. Cenário e figurinos, assinados pelo diretor, são pautados pela sobriedade: no palco, somente os elementos necessários. Há uma predominância de cores escuras, acentuando a sisudez desse lar londrino da era vitoriana e funcionando como tela de fundo para a ação dos personagens. Nos figurinos, há uma busca por concretude e verdade, utilizando-se modelagens, tecidos e padronagens típicos do período. A trilha original, composta pela diretora musical Fernanda Maia especificamente para a encenação, apresenta um quarteto formado por piano, violoncelo, violino e clarineta acompanhados por uma solista feminina. A música pontua as passagens de tempo dentro da peça e musicaliza as entradas de cada personagem com a sonoridade correspondente às características de cada um deles. A iluminação de Fran Barros evidencia a passagem do tempo (a peça se passa em um só dia, da manhã à noite) e também cria símbolos que contribuem para a construção da narrativa. Da mídia especializada: “Zé Henrique de Paula deixou de ser promessa para se firmar como um dos mais competentes diretores teatrais da atualidade...Com diálogos afiadíssimos e um elenco de rara unidade, a montagem prima por sutilezas e cuidados. Da imobilidade dos atores na abertura até o riso oferecido a conta-gotas, o espetáculo cativa e surpreende pela forte e irônica encenação”. (Dirceu Alves Junor, Revista Veja SP – 4 estrelas) "Sob a direção precisa de Zé Henrique de Paula, responsável também pela tradução, a encenação é fiel ao período definido por Shaw. Cenários e figurinos austeros reproduzem a Londres do século XIX enquanto a trilha sonora original demarca as passagens de tempo e o perfil de cada personagem. Responsável pelos melhores momentos do espetáculo, o trio de protagonistas preserva o que há de mais precioso na trama: os diálogos sempre aguçados do autor." (Letícia Pimenta, Revista Veja Rio – 3 estrelas) Texto - Bernard Shaw
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