Lauro de Freitas, 08 de fevereiro de 2012

Cultura    
Cineasta paulista apresenta mostra
Qui, 08 de Abril de 2010 22:47
 

Depois do sucesso de sua última edição, com o cineasta Fernando Meireles, em dezembro de 2009, o projeto Cinema de Artista, do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), abre mais um circuito de exibição e debate sobre as produções audiovisuais contemporâneas com a participação do cineasta paulista Wagner Morales. A abertura será no dia 14 de abril, a partir das 18h, quando será exibido o documentário Preto contra Branco. Em seguida, o convidado participa de uma mesa redonda com o artista plástico Marcondes Dourado e a arquiteta Silvana Olivieri. A entrada é gratuita para a exibição e para a mesa-redonda.

Morales traz para o Cinema de Artista 12 curtas-metragens que serão exibidos de 15 a 29 de abril, de terça a quinta-feira, sempre a partir das 16h, sendo que o Programa 2 que tem início às 17h30, é censurado para menores de 18 anos. Como carro chefe, o programa apresenta o documentário “Preto contra Branco”, que explora a diversidade racial brasileira e cujo roteiro venceu a primeira edição do concurso Doc TV promovido pela TV Cultura e Ministério da Cultura em 2003.

Morales mostra-se empolgado em participar do projeto Cinema de Artista do MAM e justifica: “o tipo de produção audiovisual que venho produzindo tem uma divulgação sempre muito restrita. Algumas galerias e mostras especiais em museus ou festivais especializados. São trabalhos pouco vistos e isso é um tanto frustrante. Mostrar o trabalho que é realizado é importante e mostrá-lo na Bahia é mais uma tentativa de alargar esse público”.

O artista, que vive em São Paulo, fez residências artísticas na França e Finlândia. Morales apresenta seu trabalho em festivais de cinema e vídeo há 14 anos, e também realiza videoinstalações e performances em galerias e museus. Seus trabalhos já passaram por países como Alemanha, Canadá, Chile, Croácia, Grécia, México e Espanha.

Lançado em novembro de 2008, o Cinema de Artista é uma iniciativa do MAM-BA que permite a apreciação do trabalho criativo, contemporâneo e de qualidade de artistas brasileiros que transitam entre as diversas linguagens do vídeo e do cinema. Com a atividade, o museu busca apresentar este tipo de produção sistematicamente e em consonância com as propostas artísticas das suas salas expositivas. As sessões são sempre gratuitas.

Wagner Morales

Desde 2000, tanto no Brasil como no exterior, Wagner Morales tem mostrado seus trabalhos em exposições individuais e coletivas, assim como em festivais de vídeo e cinema. Suas exposições individuais mais recentes foram montadas em espaços como o Cable Factory, em Helsinque, Finlândia; Palais de Tokyo, em Paris, França; Galeria Virgílio, em São Paulo, entre outras. Morales também participou de várias exposições e mostras coletivas, destacando-se, entre as mais representativas, as realizadas na Alemanha, Brasil, Canadá, Chile, Croácia, França, Grécia e Espanha. Realizou residências artísticas em importantes centros como o Le Fresnoy – Estúdio Nacional de Arte Contemporânea (Tourcoing, França, 2004), no programa Le Pavillon (Palais de Tokyo, França, 2005/2006) e, mais recentemente no HIAP, Helsinki International Artist-in-Residence, na Finlândia, onde atualmente está mostrando a instalação “White Screen”, realizada durante o inverno finlandês. Como curador

independente, desde 2006, Morales realizou algumas exposições e projetos artísticos em galerias internacionais e museus como, por exemplo, no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea de Bucareste, Romênia; Le Silo, Paris; Galeria Virgilio (projeto Cinema de Corredor); Associação Videobrasil e a 28ª Bienal de São Paulo.

Programação de Abertura

18h - Exibição do filme “Preto contra branco”

19h às 21h – Mesa Redonda

PRETO CONTRA BRANCO - 52'

“Preto contra branco” é um documentário que aborda a questão da diversidade racial, através de um viés incomum e pouco provável: um jogo de futebol de várzea. A partida é um clássico no sentido estrito do termo: é original, ocorre tradicionalmente há mais de trinta anos na favela de Heliópolis, a maior de São Paulo, e mobiliza uma comunidade inteira. Realizado uma vez por ano, o jogo tem como característica principal o fato de ser jogado por dois times especiais: de um lado, os pretos; do outro, os brancos. Antes da bola rolar, cada jogador escolhe em que equipe deseja jogar, devendo se auto-atribuir “branco” ou “preto”. Isso não seria digno de nota se não houvesse jogadores disputando temporadas ora no time dos brancos, ora no dos pretos. O filme explora como o jogo ilustra a maneira em que é organizada a questão racial brasileira, um microcosmo que evidencia um grau de consciência racial ao mesmo tempo em que pode desvelar preconceitos.

DE 15 A 29 DE ABRIL DE TERÇA A QUINTA-FEIRA

PROGRAMA 01

16h às 17h20

Mamãe, papai eu sou...
Seven Graces or a Boy
Não Há Ninguém Aqui #1
Não Há Ninguém Aqui #2
Boas Maneiras
Wild Life
Cha Cha Cha
Filme de Guerra
Ficção Científica

PROGRAMA 02

17h30 às 18h

*CENSURA 18 ANOS

Uma noite no escritório
Filme de Foda
Sinopses

 

MAMÃE, PAPAI, EU SOU...

miniDV - 2008 - Brasil - 19'

 

Uma família coreana ouve as revelações do filho mais velho durante um almoço de domingo. O vídeo é uma espécie de “looping” falso, dando-nos uma ideia ilusória de repetição. Ao assisti-lo, novas camadas de informação, preconceito e desentendimentos são reveladas.

SEVEN GRACES FOR A BOY

miniDV - 2008 - Argentina/França - 8'47’’

Koki Tanaka foi meu colega na residência artística do Palais de Tokyo, o Le Pavillon. Ele não sabia falar francês e seu inglês não era lá essas coisas, mas, apesar disso, ficamos amigos e fizemos alguns trabalhos juntos. Um belo dia, Koki fez um comentário sobre meus trabalhos. Ele disse assim: “porque você não faz um vídeo que uma criança possa achar graça?”. O Seven graces for a boy surgiu deste comentário. Neste vídeo, o que vemos são sete ações performáticas inspiradas pelo trabalho de Koki Tanaka. Se em seus trabalhos, os objetos cotidianos desempenham ações não usuais, realizando movimentos que subvertem sua natureza primeira, neste vídeo é o próprio Koki que, como ator, desempenha o papel daqueles objetos. Seven graces for a boy pode ser visto tanto como uma homenagem a um amigo, como um vídeo que tenta fazer graça com as coisas ao redor e como uma releitura do trabalho de um artista.

NÃO HÁ NINGUÉM AQUI #1

miniDV - 2000 - Brasil - 4'21”

Um personagem masculino fictício publica um anúncio nos classificados sentimentais do jornal Folha de S. Paulo. As respostas recebidas foram gravadas numa secretária eletrônica e serviram como roteiro para o vídeo. Imagens de mulheres flagradas ao acaso remetem-nos tanto às câmeras de vigilância espalhadas pela cidade como a uma procura amorosa. Aparecem algumas mulheres absortas em tarefas que não chegamos a acompanhar, a câmera parece procurar nesses rostos a autora da voz que insiste em telefonar dizendo de novo que é a última vez. Por fim, uma voz feminina familiar avisa “mensagem apagada” e o filme termina.

NÃO HÁ NINGUÉM AQUI #2

miniDV - 2000 - Brasil - 2'25’’

Não há ninguém aqui #2 tem uma estrutura bastante semelhante, mas desta vez os recados são de amigos que chamam o artista por seu nome e falam de coisas cotidianas, uma festa, um cinema, o ensaio da banda e outras propostas que se pode aceitar ou recusar com mais leveza. Ao contrário das mulheres que se descrevem no filme anterior, aqui um nome ou um apelido garante a identidade e o reconhecimento. A imagem é fixa, sempre de dentro do carro, enfocando diretamente o motorista durante todo o percurso. E parece tratar-se de um caminho conhecido também, repetido, de casa ao trabalho ou o contrário, um caminho de sempre.

AS BOAS MANEIRAS

miniDV - 2006 - França - 8'

Em novembro e dezembro de 2006, o então ministro Nicolas Sarkozy insultava a população das periferias de Paris chamando as pessoas que ali moravam de “racaille” que, em uma tradução livre, seria o equivalente ao nosso “escumalha” ou “ralé”. Na periferia, carros são incendiados e o clima de revolta toma conta da região. Este vídeo é um comentário sobre esses fatos, confrontando a imagem que se tem da França propagada em seus livros de boas maneiras com a realidade da vida diária encontrada no metrô e nas ruas desta metrópole européia.

WILD LIFE

miniDV - 2006 - Argentina/França - 9'21”

O vídeo se comporta como um registro etnográfico da vida selvagem. Só que, ao invés de enquadrarem animais ou tribos indígenas, as câmeras enfocam um grupo de turistas em passeio de barco pelas geleiras patagônicas. Habituado à produção compulsiva de imagens, o grupo reage com a indiferença de quem não está sendo filmado. A característica dramática da música sinfônica, associada às imagens do filme, se choca com a atitude indiferente do grupo de turistas. O crescendo da música provoca um acúmulo de tensão e um sentimento de tragédia iminente. No entanto, o filme termina sem o clímax prometido: os turistas continuam a viagem sem se darem conta do risco que corriam. Somente o observador/câmera podia sentir o perigo e agora, aliviado da tensão, reflete sobre a força dos mecanismos cinematográficos.

CHA CHA CHA

miniDV - 2006 - França - 5'

O amante latino cheio de amor pra dar e a gringa de cintura dura. Este trabalho é sobre esses estereótipos tolos.

FILME DE GUERRA

miniDV - 2004 - Franca - 22' 30”

Este trabalho foi realizado no centro de mídia Le Fresnoy, na França. Geralmente, nos filmes de guerra holywoodianos, o elemento que está sempre presente é a espera. Quer seja pelo inimigo, pela carta de casa, pela morte ou pelo fim da própria guerra. É esta a sensação que move este filme em que a câmera está sempre apontada para algo que pode ou não acontecer. Os arredores do Fresnoy contaminaram a pesquisa: o centro fica a três horas da Normandia, palco do desembarque aliado na Segunda Guerra Mundial. Era dali que os alemães sempre esperaram que viria um ataque. Construíram bunkers e casamatas, e ficavam olhando para o céu, para o mar. Aviões, áreas isoladas e ruínas de construções militares pontuam os movimentos, ao som de trechos de sinfonias de guerra sobrepostos numa espécie de "ruído branco" e de um diálogo de "Tempo de Guerra" (Les Carabiniers), de Jean-Luc Godard, que teve o som dos diálogos alterados para que o francês parecesse russo. Ao compor a presença material de uma paisagem tornada angustiante pela guerra, é construída uma pensata quase sem palavras sobre incomunicabilidade e militarismo e coisas que acontecem ao largo dos sujeitos.

FICÇÃO CIENTÍFICA

miniDV - 2003 - Brasil - 4'31”

Em “Ficção Científica” procuro traduzir as sensações iniciais do filme Solaris (Andrei Tarkovski, 1972) em uma sequência de imagens de natureza: árvores, rios, chuva, lago. Ouvimos um diálogo em russo, o qual é extraído do filme original, onde dois personagens comentam as imagens que assistimos na tela. Neste ponto, a natureza mostrada passa a ser um elemento incômodo e percebemos que há algo errado acontecendo. Como nos clássicos do gênero de ficção científica, sempre há um herói incumbido de uma missão (salvar um planeta, solucionar o mistério de uma estação espacial, e assim por diante). Em Ficção Científica, esta viagem do herói é representada em único take e, a partir deste momento, os diálogos em russo deixam de serem traduzidos pelas legendas e nós, espectadores, passamos a compartilhar os sentimentos do herói: estranheza e incompreensão. Ele regressa a Terra sem cumprir sua missão e no final do vídeo ouvimos uma voz feminina que diz “não há nada a fazer”.

 

Programa 02 (Censura 18 anos)

 

UMA NOITE NO ESCRITÓRIO

miniDV - 2007 - Brasil - 20' - Direção: Wagner Morales e Rodrigo Andrade

Na São Paulo de 1939, o Sr. Wilson, um diretor de banco, começa a sofrer alucinações com formas geométricas.

FILME DE FODA

miniDV - 2006 - França - 9'31”

“Filme de foda” (originalmente em francês Filme de cul) é um curta-metragem experimental sobre um gênero cinematográfico em especial, o "cinema pornô", como é chamado popularmente. Geralmente, os filmes pornográficos são constituídos de muita ação corporal e, em geral, poucos diálogos. Neste projeto, a ideia é inverter esses códigos: muita conversação e pouca, ou mesmo nenhuma ação. No filme, o que vemos é um casal, sentado um de frente ao outro, tendo uma conversação de caráter sexual, na qual cada um descreve o que fará ao outro no decorrer de uma relação sexual normal. A conversação é rica em detalhes e termina por ser mais obscena que uma imagem sexual. No filme, a linguagem falada e a maneira que ela chega aos nossos ouvidos tomam o lugar da imagem dos corpos no ato sexual, como habitualmente vemos nos filmes pornôs.

 

 

Joomla Templates and Joomla Extensions by JoomlaVision.Com
 

           | 
Banner
Banner
Banner
Banner