Lauro de Freitas, 21 de maio de 2012

Cultura    
Perinho Santana lança o primeiro livro
Seg, 26 de Julho de 2010 14:21
 

Por: Valdeck Almeida de Jesus

"Eu sonhava com esse livro. Se eu morrer hoje, morro feliz", diz Perinho Santana ao receber seu primeiro livro publicado.

Péricles Bonfim de Santana, Perinho – apelido dado por seus pais e avós – agora conhecido como Perinho Santana, é um homem simples, de pouca conversa, olhar cabisbaixo, gestos comedidos. Mora sozinho em uma casa-livro, em Plataforma, bairro do subúrbio ferroviário de Salvador. Ele é divorciado, pai de Mateus Santana, 20 anos, que vive com a mãe, em Brotas. O interior da casinha de três cômodos onde ele vive tem poesias em todas as paredes, na sala – que também serve de cozinha -, e nos dois quartos.

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Em 1999, aos 40 anos de idade, começou a escrever, motivado pela curiosidade que as letras lhe causaram quando, aos 8 anos, começou a alfabetização na igreja evangélica que os pais freqüentavam. Sua inspiração foi a Bíblia, “a palavra de Deus”, e a própria palavra “Deus” que, segundo acredita, é a única palavra positiva escrita com a letra “d”. “As demais são negativas, mundanas”, diz. Ao associar letra com letra, foi se habituando a sentir o som de cada palavra, criando uma poesia simples e objetiva.

Seus poemas falam de vida, de paz, de natureza, sentimentos e saudades. Sua obra grava nos muros a recordação de amigos que se foram do bairro e dos que morreram. Eterniza a nostalgia, registra a história viva do lugar onde vive desde criança. É uma relação umbilical que o poeta tem com a Mata Atlântica e com o sentimento de pertencimento a Plataforma e à sua gente.

Esta mesma gente querida apaga as páginas do seu livro-muro, destrói os escritos de Perinho. Muitas das ‘páginas’ já foram apagadas ou foram pichadas, outras foram destruídas pelo tempo. Os muros que ele costuma usar como páginas para suas palavras pertencem a uma empresa de transporte ferroviário. “O muro da viação férrea parece que foi feito de páginas de livros, todas em branco. Algumas estavam sujas e depredadas. Eu pinto o muro com tinta branca, escrevo meus poemas e faço desenhos para ilustrar, dou vida e beleza ao que antes era só feiúra”.

A mania de pintor é mais recente. “Eu escrevia os poemas e pagava para alguém ‘pintar’ nos muros, sob minha supervisão”. Depois ele resolveu realizar todo o trabalho, “para economizar e porque a pintura também me atraiu”, confessa. Hoje, com 46 anos de idade, Perinho Santana diz já ter escrito mais de 300 páginas do seu livro-muro. Ele já tentou publicar um livro convencional, mas não conseguiu patrocínio para seu projeto. “Meus poemas são lidos por quem quiser, pois está acessível, gratuitamente, pelo bairro inteiro”, se orgulha.

Perinho se ressente de não ter registrado todos os seus escritos em papel. “Agora não tenho como resgatar o que foi destruído nos muros”, lamenta. Há dois anos ele passou a escrever num caderninho as mesmas poesias que ‘pinta’ nas páginas-muros do bairro, “pois o restante se perdeu. Ficou gravado, apenas, nos olhos de quem viu e leu”, desabafa.

 

Seu poema predileto não foge ao tema central de sua escrita:

 

Natureza-mãe

É um grande espetáculo

Trovões e estrondos para todos os lados

Relâmpagos deixando a noite em claro

Chuvas grossas varrendo o chão

O céu negro dizendo que precisa chorar

O mar bravo espumando a sua ira

É um grande espetáculo

E nem por isso o homem sabe prezar a vida.

 

 

Fonte: www.galinhapulando.com

 

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Comentários 

 
0 #2 Visitante 25-08-2010 21:29
Merecido reconhecimento esse, feito a Perinho,esse sentimento genuino que ele tem pelo bairro de Plataforma,é um belo exemplo
de carater e personalidade,n unca se envergonhou de dizer que morava num SUBurbio,que de SUB mesmo só tem o tratamento dado por nossos representantes políticos, pois é um dos lugares mais bonitos desse país.Em sua poesia Perinho disse... Lindas Flores colheremos em nosso lindo jardim,brancas rosas amarelas...Sua colheita meu irmão já começou.Parabens!!!
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0 #1 Visitante 20-08-2010 23:07
Vivenciei os poemas de Perinho Santana o que mais gosto e o que retrata as Palmeirs Imperiais e a Igreja do Bonfim. "Minha Terra tem palmeiras onde o trem passa aqui a frente tem a Ribeira acima tem o Bonfim...". dejejamos sucesso em sua nova jornada e que Plataforma Bairro pobre porem, de pessas RICAS como exemplo Perinho seja vista com bons olhos pelos nossos politicos. abraços faternos dos primos Simone e Euler Santana
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