Lauro de Freitas, 21 de maio de 2012

Cultura    
Marisa Orth apresenta drama em Salvador
Sex, 06 de Agosto de 2010 11:50
 

O fim de semana de chuva em Salvador contará com um bom motivo para sair de casa. A atriz global Marisa Orth, conhecida pelos personagens cômicos na TV, sobe ao palco do Teatro Casa do Comércio para encenar a peça "O inferno Sou Eu", de Juliana Rosenthal, que utiliza o drama para contar a história do suposto encontro da escritora francesa Simone de Beuvoir com Dorinha, uma jovem estudante de Letras do Recife.

O primeiro personagem real de Marisa Orth tem direção de José Rubens Siqueira e divide o palco com a atriz de teatro Paula Weinfeld, que interpreta a altura a estudante que defendia os ideais libertários da década de 60, período que ambienta a história.

“O Inferno Sou Eu” contará com duas apresentações em Salvador, dias 06 e 07 de Agosto, e faz parte das comemorações dos 10 anos do Catálogo Brasileiro de Teatro, da Fred Soares Produções.

 

 

CATALOGO BRASILEIRO DE TEATRO – ANO 10

Espetáculo: “O INFERNO SOU EU”
Marisa Orth e Paula Weinfeld
Texto: Juliana Rosenthal K.
Direção: José Rubens Siqueira
Teatro Casa do Comércio
Dias 06 e 07 de Agosto, 21h – 08 de Agosto, 20h
Ingressos: Sexta R$ 60,00 / Sábado e Domingo R$ 70,00
Bilheteria do Teatro: (71) 3273.8765 / 3272.8543
Gênero: Drama
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 12 anos
Marisa Orth é Simone de Beauvoir em O INFERNO SOU EU

 

“Entre a fidelidade e a liberdade, haverá uma conciliação possível? A que preço?”

Essa celebre frase de Simone de Beauvoir (1908-1986) inspirou Juliana Rosenthal K. a escrever uma história sobre um suposto encontro em 1960 entre a já famosa filósofa e escritora francesa com Dorinha, uma jovem estudante de Letras do Recife, apaixonada pelos ideais libertários da época.

Marisa Orth , pela primeira vez em sua carreira interpreta uma personagem real. “Acompanhei o processo do texto e adorei o resultado alcançado pela Juliana. Interpretar Simone de Beauvoir nesse contexto está sendo um agradável desafio”, diz Marisa que chamou o diretor José Rubens Siqueira para conduzir essa delicada história. “O Zé Rubens é um diretor de ator, nos faz crescer em cena. Tinha que ser ele”, completa a atriz.

Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir ficaram três meses no Brasil em 1960, e seus últimos dias no País foram passados no Recife.

Na peça, Simone ainda não estava curada de tifo, que contraíra na Amazônia. Eles se hospedam na casa de Marta, por quem Sartre se apaixona. Marta, então, contrata Dorinha para cuidar de Simone. “O que mais me atraiu na peça foi a qualidade do texto, que permite ir além da mera narrativa. Permite partir de uma personagem real, numa época determinada e saltar para uma reflexão sobre a condição da mulher... Não, não só da mulher: do ser humano de qualquer sexo em busca de um nível superior de consciência.

Em busca da felicidade”, afirma José Rubens Siqueira que completa: “É uma peça cheia de humor, mas profunda, compacta na busca de sentimentos e significados inconscientes, arquetípicos, sem deslizar para o psicológico”

Com muita sensibilidade, diálogos fluídos e ironia, a peça retrata um encontro improvável, mas transformador entre duas mulheres de realidades totalmente diferentes que irão se conhecer além das aparências. “Não há julgamento das atitudes ou ideias, abre-se uma discussão”, comenta Juliana Rosenthal K. que se inspira no fato real da vinda do casal mais famoso de filósofos do século XX para o Brasil para abrir o diálogo entre as diversas facetas de Simone de Beauvoir - o mito, a mulher, a esposa, a professora – com a jovem admiradora e interessada estudante de Letras do Recife nos anos 60.

Além de resgatar um período de grande efervescência cultural no Brasil, O inferno sou eu resgata a memória desses importantes intelectuais franceses, ao discutir temas importantes e atemporais como os relacionamentos amorosos e o papel da mulher na sociedade

Para viver Dorinha, foi realizado teste com atrizes e Paula Weinfeld ganhou o papel pelo talento de imprimir veracidade nos diálogos e enfrentamentos de sua jovem sonhadora com a astúcia, inteligência e cultura de uma das mais conceituadas filósofas de todos os tempos, interpretada por Marisa Orth , “por inteiro”, segundo José Rubens Siqueira.

Muito já foi dito e escrito sobre Simone de Beauvoir, e mesmo quase trinta anos após sua morte, as discussões sobre sua vida e obra continuam extremamente atuais.

Sobre a Autora – Juliana Rosenthal K., 29 anos, é roteirista e dramaturga.

Fez pós-graduação em Dramaturgia e Roteiro na Universidade da Califórnia e é mestre em Literatura pela USP.

Estreou como dramaturga na I Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Teatro do Centro da Terra sob a coordenação de Samir Yazbek. Sua primeira peça, “Feliz Aniversário”, fez temporada no Teatro Folha em 2006.

É também autora do infanto-juvenil “Bú”, texto ganhador de menção honrosa no 1º Concurso Feminina Dramaturgia, do Teatro Studio 184, e da peça “O Poder da Boca”, escrita em parceria com as Mulheres da Redação, equipe de roteiristas da qual faz parte, juntamente com Marta Góes, Eliana Castro, Gisela Marques e Rachel Ripani.

É co-autora do documentário “Cabide”, produzido pela Demeter Films; da microssérie “Amigas.com”, produzido pela Dínamo Filmes e selecionado como finalista da Mostra Competitiva de Pilotos do Festival Internacional de Televisão 2009, e dos seriados “Top” e “As Botocudas”.

Sobre o diretor – José Rubens Siqueira

Contribuiu para realizações representativas do teatro paulista, ganhando destaque a partir da década de 80. Destacam-se O Processo (baseado em Franz Kafka, junto ao Núcleo 2 do Teatro de Arena), Numância, O Cordão Umbilical, Marta de Tal, A Sétima Morada, O Romance de Tereza d'Ávila e O Banquete. Integrou a equipe de Clara Crocodilo, A Dama das Camélias, Decifra-me ou Devoro-te e SEssenta e Oito. É responsável pela dramaturgia de Domésticas, o vitorioso espetáculo de Renata Melo que, posteriormente, ganha versão cinematográfica; bem como é o autor de Éonoé, infantil dirigido por Francisco Medeiros para o grupo Pia Fraus Teatro. Também adapta, dirige, faz cenários e figurinos de A Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, e é autor de Dona da Casa sobre a poetisa Adélia Prado.

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