Lauro de Freitas, 21 de maio de 2012

Educação    
Precisa-se de engenheiros
Qua, 06 de Abril de 2011 17:20
 

O engenheiro civil é o responsável por todas as fases de uma construção. É quem analisa a viabilidade de projetos e do solo, calcula suas estruturas, tensões, resistência dos materiais a serem utilizados, e acompanha a obra do início ao fim. Ser engenheiro é, por definição, ser criativo, criar, construir.

O curso dura em média cinco anos. Há exatos três anos a crise deflagrada nos Estados Unidos, que teve como pivô o banco Lehman Brothers, derrubou a economia norte-americana e levou consigo uma série de mercados, a exceção dos emergentes, que viram na crise a oportunidade para assumir o papel principal nas negociações pelo globo tanto de commodities quanto de produtos industrializados. O Brasil, para contornar a crise, usou a construção civil para sustentar o crescimento e o PIB do país. Como o setor cresceu e a mão de obra não acompanhou, sofre-se agora com a falta de profissionais qualificados.

Verifica-se, então, que ainda não se formaram engenheiros suficientes para atender às demandas geradas a partir da crise econômica internacional. “Em Salvador e Região Metropolitana, hoje, o déficit de trabalhadores em todo o setor da construção civil chega a dez mil pessoas, o que mostra que ainda há muito a ser feito para que a demanda de mão de obra acompanhe o ritmo de trabalho do mercado baiano”, explica o presidente da ADEMI-BA (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia), Nilson Sarti.

Economias emergentes assumem papel de destaque

De acordo com o estudo “Convergence, Catch up and Overtaking: How the balance of world economic power is shifting”, da PricewaterhouseCoopers, esta é uma tendência que deve se intensificar nos próximos dez anos dada a natureza lenta da recuperação das potências econômicas. Até 2019, a soma dos PIBs do grupo chamado no estudo de E7 (China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia) será equivalente ao total dos PIBs do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá). A partir de 2020, o E7 deve superar o G7. E em 2030, o PIB total do E7 será 30% maior que o do G7. A China vai se tornar a maior economia mundial e o Brasil alcançará o quinto lugar.

No Brasil, especificamente, a crise norte-americana foi contornada de modo eficaz, por conta das políticas governamentais de transferência de renda condicionada, ampliando a classe C através de crédito farto e programas como o Minha Casa, Minha Vida, que impulsionaram a construção civil e, concomitantemente, a geração de empregos e renda. Além disso, o governo demonstrou mão forte na manutenção das medidas macroeconômicas, entre elas, a conservação do câmbio flutuante – prezando pela competitividade da indústria nacional e se distanciando do protecionismo – e o aumento da taxa Selic para combater as pressões inflacionárias e a queda vertiginosa do dólar.

Por que precisamos formar mais engenheiros?

Três anos, duração da crise estrangeira, não é tempo suficiente para formar os futuros engenheiros que responderam à demanda crescente configurada por esse aquecimento da economia nacional. Entre os que já estão no mercado, há desvio ocupacional, uma tendência também para o futuro. Em 2009, apenas 38% dos formados em engenharia estavam no mercado nas suas ocupações típicas. Em 2020, a previsão é de que esse número aumente para 45%. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda de acordo com a pesquisa, divulgada em março deste ano, em 2020, o Brasil terá 1,5 milhão a 1,8 milhão de engenheiros, o que até coincide com a demanda por engenheiros no país. No entanto, a demanda deve continuar crescendo, alcançando números entre 560 mil e 1,16 milhão de profissionais.

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