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Terminou na madrugada desta segunda-feira (16) a Grande Festa de Portão, que atraiu mais de 30 mil pessoas e se consolida como abertura do ciclo de festas populares da região.
Depois da sexta e sábado que trouxe atrações como os grupos Bankoma, Prakata, a Bronka e os sambistas Gal do Beco e Nelson Rufino, mais de 3 mil pessoas participaram, no domingo (15) da Lavagem de Portão, ponto alto da festa. No ritmo dos tambores e debaixo sol forte, baianas, capoeiristas, grupos de dança e culturais, cavaleiros e moradores, caminharam da rua Queira Deus até a Igreja de Santo Antônio, num percurso de quase 4 quilômetros. O cortejo despertou a atenção dos moradores que ocupavam as calçadas e varandas, tiravam fotos dos grupos e capoeiristas. O cortejo seguiu até as escadarias da igreja, onde uma banda de sopro e baianas entoaram o Hino ao Senhor do Bonfim. A água de cheiro foi disputada e o banho do carro-pipa virou festa para criançada. A prefeita Moema Gramacho fez todo o cortejo no meio das baianas, acompanhada pelos secretários municipais. Ernestina de Jesus, moradora há 20 anos do bairro não escondia a alegaria com a festa. “Que bom encontrar a prefeita aqui, nesta festa tão especial para gente. Antes, os políticos só apareciam no período eleitoral”. Antônio Lírio, secretário municipal de Cultura, enfatizou o aspecto cultural da festa. “Portão foi um grande palco para a família. As crianças puderam se divertir tranquilamente”. Lírio ressaltou também que a mistura de ritmos foi o destaque. “Conseguimos trazer o samba, com Gal do Beco, Nelson Rufino, além do hip hop”. O presidente da Associação dos Blocos de Trio de Portão, Alinaldo Conceição dos Santos, disse que a festa valoriza o bairro, destaca o turismo, além de aquecer a economia local. Dona Maria Oliveira conseguiu vender oito grades de cerveja, em dois dias de festa. “A renda foi boa. Que venham outras festas”, afirma sorridente. A vendedora ambulante Telma Santos, de 28 anos, foi outra que resolveu investir na festa, com isopor de cerveja e refrigerantes. Da porta de casa, a trabalhadora doméstica Raimunda Jesus Santos, de 39 anos, decidiu também conciliar as atividades de foliã e comerciante. “Até agora está tudo bom, festa maravilhosa e sem violência. E ainda dá para ganhar um dinheirinho, que é de lei”, comentou. Assim, com muita suingueira, a festa de Portão celebrou a paz e a força de um povo trabalhador.
Festa pela paz!
Uma celebração pela paz. Assim pode ser resumida a Festa de Portão, um carnaval fora de época no qual se demonstra toda a criatividade e cultura populares expressas nos blocos que desfilam, trazendo desde crianças e tradicionais foliões com seus abadás a travestidos. Mas neste ano, o desejo das pessoas nas ruas pode ser traduzido em clamor por menos violência. Já na primeira noite de festejos, o Bankoma mostrou a força genuína do povo de Portão. “Este é um bairro tradicional, fortemente marcado pela cultura negra. A força do povo de Portão se refere na cultura popular que cresce a cada ano em quantidade e qualidade”, disse o secretário municipal de Cultura, Antônio Lyrio. Ele ressaltou que a festa já é referência de manifestação popular no estado e, referindo-se aos anseios da população, destacou que “Portão é um bairro de paz, com muita gente de paz”. E este grito contra a violência ganhou cores mais fortes com a participação de nomes como Gal do Beco, Nelson Rufino e do atual pagode baiano. A presença das crianças tornou mais forte este clamor por paz. Já se consideranda uma “veterana” na festa, a pequena Gardênia Silva Santos, de 12 anos, comemorava seu quinto ano de agito nas ruas do bairro. “Gosto muito de dançar”, dizia a menina, enquanto posava para as fotos.
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