Lauro de Freitas, 08 de fevereiro de 2012

Gastronomia    
Povo Nordestino opta por fast-foods
Qua, 02 de Dezembro de 2009 17:02
 

Em decorrência da mudança de hábito, mais de 60% da população com nível superior apresenta sobrepeso.

Mesmo sendo rica em milho, mandioca, batata doce, carne de sol e frutos do mar, sendo este último alimento mais abundante para aqueles que moram no litoral, a culinária nordestina está longe de ser o ideal de alimentação balanceada. Acompanhando esses ricos nutrientes está a inimiga dos problemas cardíacos e da obesidade: a gordura saturada. Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) aponta que 66% da população nordestina - e 63,1% dos brasileiros - estão acima do peso e trocam grelhados por frituras, dispensando legumes e verduras.

De acordo com a presidente do CRN-5 - Conselho Regional de Nutricionistas da 5ª Região (Bahia e Sergipe), Bárbara Panelli, apesar da base da alimentação dos nordestinos ser rica em vitaminas, potássio e proteínas, o modo de preparo ou os acompanhamentos são incorretos na maioria das casas nordestinas. “Muitos pratos acompanham carnes gordurosas, geralmente fritas, o que eleva o nível de colesterol permitido para o nosso organismo. O hábito de comer no café da manhã cuscuz de milho com carne seca poderia ser substituído pelo cuscuz com manteiga”, diz a nutricionista.

Segundo os dados levantados pela SBCBM, o Nordeste sempre foi visto como uma região carente de comida e de recursos. Por isso 55% das pessoas na região estão com sobrepeso, 11% apresentam algum tipo de obesidade, 6% estão abaixo do peso, e apenas 29% estão com peso normal. Um dos dados alarmantes da pesquisa é que a má alimentação não está relacionada à baixa escolaridade, já que 69,5% dos nordestinos com nível superior completo estão acima do peso, contra 65% dos analfabetos funcionais.

O maior acesso a fast-food e alimentos industrializados explica porque os nordestinos de nível superior estão à frente da balança, quando a questão é sobrepeso. Para a presidente do CRN-5, a globalização colabora significativamente para a mudança de hábito alimentar do nordestino, “este tipo de alimentação rápida mudou os hábitos alimentares da população, que passou a incluir esses alimentos no consumo diário. A globalização tem colaborado para a mudança na alimentação do nordestino inserindo produtos típicos de outras regiões com preço mais acessível, o que permite uma variação maior no cardápio. Desta forma, altera-se o valor nutricional da alimentação, o que nem sempre se reflete em uma mudança para melhor”, salienta Bárbara.

O vice-presidente do CRN-5, Vanilson Silva, reforça que a melhoria econômica na região, associada ao maior acesso da população a produtos calóricos, contribui para o aumento de peso e doenças. Segundo ele, “a população hoje encontra mais facilidade para consumir alimentos industrializados, antes exclusivos às pessoas mais abastadas, sem contar com a praticidade de uso de tais alimentos. Mas o aumento desse consumo trouxe mais prejuízos que benefícios. O uso excessivo de conservantes, corantes e outros aditivos estranhos ao corpo humano pode trazer conseqüências futuras”, afirma.

 

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