Lauro de Freitas, 08 de fevereiro de 2012

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Mãe Hilda é homenageada em projeto
Sex, 16 de Outubro de 2009 08:46
 

Um projeto de lei encaminhado pela vereadora Léo Kret do Brasil (PR) para apreciação na Câmara Municipal de Salvador, pretende denominar Mãe Hilda Jitolu o circuito de Carnaval do bairro da Liberdade.

A intenção é fortalecer o carnaval do bairro, que já existe, mas, de forma muito tímida e homenagear uma das mais importantes Yalorixás da Bahia e do Brasil, matriarca e inspiradora de um dos mais importantes grupos afros do país: o Ilê Aiyê. Além disto, somando-se aos tradicionais circuitos carnavalescos “Osmar” (Campo Grande), “Dodô” (Barra-Ondina) e o alternativo “Batatinha” (Centro Histórico), o objetivo é consolidar mais um circuito carnavalesco na cidade, no bairro mais negro fora do continente africano.

Antes de protocolar o projeto, a vereadora entrou em contato com Vovô ( filho de Mãe Hilda e Presidente do Ilê Aiyê) que foi muito receptivo a idéia:" Me sinto muito lisonjeado com essa homenagem a minha mãe.Fico feliz e apoio essa iniciativa" disse.

“O fortalecimento do carnaval nos bairros é uma medida que ajudará a desafogar os circuitos tradicionais que estão sobrecarregados com a alta demanda de público. A Liberdade é um berço cultural de nossa cidade e tem potencial de atrair mídia, turistas e nativos durante o carnaval, gerando empregos diretos e indiretos a população local. Mãe Hilda Jitolu é a cara da Liberdade, batizar o circuito com seu nome é uma forma de manter vivo o seu legado. Axé povo negro da Bahia! Axé Mãe Hilda!” disse a vereadora.

Conheça um pouco da história de Mãe Hilda Jitolu

Hilda Dias dos Santos, a Mãe Hilda Jitolu, nasceu em 6 de Janeiro de 1923 e faleceu aos 86 anos em 19 de Setembro de 2009 vitima de problemas cardíacos.O seu terreiro Ilê Axé Jitolu foi fundado no dia 6 de janeiro de 1952. A ação social da famosa yalorixá se desenvolveu em vários domínios de produção político-cultural. Foi, e é decisiva, a sua contribuição para a linha filosófica de trabalho do Ilê Aiyê. Em âmbito nacional, Mãe Hilda incentivou a criação do Parque Memorial Zumbi dos Palmares, em Alagoas.

A partir de 1995, o Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê começa a atuar além das instâncias educativas do Bloco - nas escolas públicas do bairro da Liberdade - sempre a partir dos ensinamentos de Mãe Hilda: preservar e expandir os valores da cultura africana no Brasil.

Em seu terreiro aconteceram as primeiras reuniões que deram origem ao Ilê Aiyê. O bloco desfilou pela primeira vez em 1975 e tornou-se uma das mais fortes referências na luta de combate ao racismo. O Movimento Negro Unificado (MNU) só surgiria três anos depois. Com o lema “Negro é lindo” o Ilê iniciou um processo de estímulo ao resgate da auto-estima da população negra privilegiando a música, as roupas coloridas, dentre outros signos estéticos de origem afro-brasileira.

Era mãe Hilda quem comandava a cerimônia religiosa que antecede o desfile do Ilê Aiyê no sábado de carnaval. Da sacada de sua casa, ela presidia um rito que pedia licença, principalmente, a Obaluaê, divindade que governa a saúde e à qual era consagrada, além de Oxalá, que é o protetor do seu filho, Vovô. A cerimônia terminava com a soltura de pombos brancos por todos os diretores do Ilê Aiyê e pela rainha da beleza negra do ano, a Deusa de Ébano.

Além do carnaval, sempre sob a inspiração de mãe Hilda, como sempre faz questão de frisar Vovô, o Ilê passou a realizar diversos projetos sociais. Dentre eles se destaca a Escola Mãe Hilda, que oferece não só educação formal, mas também oficinas artísticas e formação em cidadania.

No carnaval de 2004, o Bloco Ilê Aiyê homenageou Mãe Hilda com o tema “Mãe Hilda: guardiã da fé e da tradição africana”, em comemoração aos trinta anos da agremiação.

 

 

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