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Estudo identificou os jovens como as maiores vitimas de lesões na coluna cervical, que podem causar paralisia dos membros e, em casos mais graves, a morte. Um mergulho para “furar a onda”, saltar da ponte em direção ao mar de cabeça... Atitudes aparentemente inocentes têm feito cada vez mais vítimas, entre jovens de 10 a 29 anos, na Bahia. É o que diz a o projeto Mergulho Seguro, que será lançado, segunda 29 de setembro, no auditório Luigi Faroldi, do Hospital São Rafael. Iniciativa da SBC (Sociedade Brasileira de Coluna) regional Bahia, com apoio de instituições privadas e filantrópicas, como o Lions Clube e o Hospital São Rafael, tem como objetivo informar e prevenir a população para os males de lesão na coluna cervical provocados por mergulhos em água rasa. É durante o período de setembro a março (primavera e verão) que há maior incidência das lesões na coluna cervical provocadas por mergulho. Estas e outras informações são base de uma pesquisa realizada no HGE, entre 1991 e 2006, com 145 pacientes, vítimas de traumas na coluna ocorridos enquanto mergulhavam. Os dados também afirmam que os homens de 10 a 29 anos, solteiros, que moram em área urbanas, formam a maioria das vítimas. Do total estudado, 90% precisam de intervenção cirúrgica chegando até a ficarem 60 dias internados no hospital. “Situações como esta são terríveis. Jovens de 15, 18 anos, que permanecem dois, três meses internados, com seqüelas gravíssimas e permanentes, como paralisia dos membros inferiores (paraplegia), ou dos quatro membros (tetraplegia - paciente só mobiliza a cabeça e o pescoço)”, esclarece a presidente da SBC Bahia Joilda Gomes. Pesquisa As lesões mais comuns no Mergulho em água rasa são o trauma crânio-encefálico (TCE) e trauma na região da coluna cervical. “Outro estudo realizado pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, confirmou que quase 90% dos casos dos pacientes que dão entrada numa unidade, após terem sofrido uma lesão neurológica completa, morrem por complicações associadas ao trauma”, afirma Joilda Fontes. Na Bahia, o maior índice de acidentes por mergulho em águas rasas é computado durante o verão, no período de setembro a março, mas com pico em fevereiro. “Este ano, em janeiro no HGE foram 72 pacientes vítimas de lesões sérias na coluna, somando as outras causas traumáticas em geral“, atenta a ortopedista. A maior parte dos acidentados são solteiros (71%) e com lesões cervicais nas quartas e sextas vértebras”, completa. Tetraplegia e mortes Cada vértebra costuma ser identificada por uma sigla, de modo a facilitar o tratamento e o local onde ocorreu o trauma. “As lesões ocorridas da primeira a quarta vértebras da coluna cervical (C1 a C4) podem atingir a medula e provocar a inibição do centro respiratório, com grande chance de óbito”, comenta a médica, que também é membro da equipe de cirurgia da coluna no Hospital São Rafael. Um exemplo da gravidade dessas lesões é o ator Christopher Reeve, que interpretava o Super-homem nos cinemas. Após uma queda durante uma prova de hipismo, Reeve teve fraturas na coluna cervical alta, que o deixaram tetraplégico, respirando com ajuda de aparelhos. Prevenção A principal forma de prevenir estes acidentes com alto grau de gravidade é conhecer bem o local onde vai ser realizado o mergulho e pular em pé para avaliar a profundidade. Joilda Fontes alerta que algumas pessoas costumam mergulhar sempre no mesmo local, com a falsa impressão que será seguro. “As correntes marinhas movimentam as pedras e a areia situada no fundo do mar modificando a profundidade do local. Além disso, o mergulhador deve estar atento para os níveis da maré, que ora está cheia, ora está vazia e sem comentar que há variação durante os meses do ano”, alerta a ortopedista. Projeto Mergulho Seguro Com o intuito de alertar a população para os riscos desse tipo de acidente, no próximo dia 29 de setembro será lançada oficialmente a campanha “Mergulho Seguro”, no Hospital São Rafael. O projeto, uma iniciativa da SBC-BA, prevê uma série de ações como palestras e cursos, em escolas públicas e ONG’s em todo o estado. Também serão encontrados folhetos explicativos em clínicas, hospitais, dentre outros. “Esta é uma campanha de interesse público que, certamente, ajudará a diminuirmos esses graves acidentes, perfeitamente evitáveis, que acarretam lesões neurológicas irreversíveis (tetraplegia) e que acometem principalmente adolescentes e jovens, ceceando suas vidas de modo permanente”, disse Joilda. |
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